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O efeito do Big Data no sucesso da Uber

13 de Outubro de 2015 Por Ivy Leça 347

Sempre que uma iniciativa disruptiva entra em um mercado, é comum que encontre barreiras, principalmente por parte daqueles que já atuam nesse mercado. Um exemplo recente disso é o controverso sucesso da empresa Uber.

A Uber cresceu na economia compartilhada, conectando passageiros e motoristas diretamente através de um aplicativo. Fundada em 2009, rapidamente ganhou expansão global e chegou ao Brasil, colecionando fãs fiéis e também conquistando a aversão não apenas dos taxistas – por oferecer a oportunidade de novos negócios para motoristas não licenciados – como também de inúmeras empresas de transporte tradicionais, que estão perdendo sua fatia do mercado.

Se considerarmos que tanto Uber quanto táxi oferecem o mesmo serviço de deslocamento por custos semelhantes, é possível concluir que o segredo do sucesso do primeiro está na entrega de valor para o usuário.

Parte chave dessa entrega de valor está no uso de ferramentas de Big Data. Antes mesmo do carro chegar, dados como tarifa, percurso, condições de tráfego e tempo são cruzados, uma análise preditiva é feita para determinar previamente quanto tempo sua viagem deverá levar e qual será o valor final. Em caso de mudança de percurso, o aplicativo recalcula o novo trajeto em tempo real para que o passageiro não tenha nenhuma surpresa.

O aplicativo conta ainda com um sistema de avaliação rígido e totalmente compartilhável. Quando um usuário utiliza o serviço, ele avalia o motorista e deixa esses dados disponíveis para os próximos clientes. A ‘taxa de aceitação’ do motorista (corridas aceitas) deve se manter em  80%. A análise dos dados ajuda a manter a qualidade dos serviços, fidelizar clientes, além de conquistar novos passageiros.

Os dados são tão importantes para a Uber que o aplicativo também está firmando parcerias com locais de entretenimento, restaurantes e redes de hotéis. Um potencial usuário acaba de descer no aeroporto e está pronto para ir ao seu hotel preferido na cidade; então ele descobre que se baixar o aplicativo do Uber, fizer o cadastro e fechar a corrida até o hotel, ele ganha uma diária. Estadias gratuitas, milhas aéreas, descontos, acesso VIP e tantas outras recompensas são oferecidas ao usuário em troca de compartilhar algumas informações pessoais que serão valiosas para o aplicativo.

Se por um lado a tecnologia utilizada pelo Uber pode gerar críticas dos mais conservadores, algumas empresas estão tomando o sucesso do aplicativo como exemplo. É um ciclo virtuoso: mais concorrência gera mais avanços e inovação. Na cidade de São Francisco, nos EUA, por exemplo, algumas frotas de táxi já estão adotando programas destinados a competir com Uber e outras empresas. Dessa forma, o mercado se mantém em evolução, o que só pode gerar melhores resultados para o consumidor.

A ruptura que vimos nos mercado de transportes nos últimos tempos é apenas o começo. O amanhã promete carros que dirigem sozinhos, e com tecnologias como Big Data e computação em nuvem se tornando mais comuns, outras ideias revolucionárias provavelmente surgirão.

Com a economia digital influenciando o comportamento das pessoas, a previsão é que cada vez mais empresas disruptivas desafiem o mercado e a indústria tradicional em todos os setores possíveis. Essa é uma realidade que os líderes precisam considerar e rápido. Sua empresa vai se moldar e crescer na economia digital ou será apenas mais um coadjuvante dessas mudanças?

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