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Fintechs podem impulsionar a inclusão financeira

10 de Novembro de 2017 Por Ivy Leça 8

O termo fintech se popularizou nos últimos anos, sendo criado para definir as empresas de serviços financeiros que usam as últimas tecnologias para oferecer produtos e serviços inovadores. Mas esse fenômeno global nas finanças está redefinindo seu próprio conceito, pois as fintechs estão ajudando a impulsionar a inclusão financeira no mundo.

Ainda que o número de pessoas não bancarizadas tenha caído nos últimos anos, o problema de acesso a serviços bancários se faz muito presente em países emergentes e mais pobres. 73% dos cidadãos não bancarizados do mundo todo estão em apenas 25 países, incluindo Índia, Brasil e China.

Mas como as fintechs podem ajudar a reimaginar esse cenário? Para Bernardo Batiz-Lazo, professor de história comercial e gestão bancária na Universidade de Bangor no País de Gales, um dos principais pontos é a capacidade das fintechs de tornarem as transações mais seguras e confiáveis. As fintechs podem atuar em diversos segmentos dentro do mercado financeiro, como conta bancária, crédito, empréstimos, pagamentos, saúde financeira, crowdfunding, entre outros.

A simplificação nos processos bancários também é outra vantagem das fintechs diante dos bancos que pode ajudar a impulsionar a inclusão financeira. Para abrir uma conta em um banco tradicional é preciso passar por processos burocráticos, análises de crédito e comprovações impressas e esperar uma resposta em alguns dias; já nas fintechs a pessoa solicita a abertura, envia fotos de alguns documentos e sua conta estará aberta e disponível em algumas horas.

Em países mais pobres, muitos trabalhadores ainda recebem seus pagamentos em papel-moeda, e o trajeto de volta para casa pode ser muito perigoso devido aos altos níveis de criminalidade. Aumentar a facilidade para receber seus salários e fazer compras e pagamentos digitalmente certamente é um incentivo para a população não bancarizada.

Apesar de a tecnologia estar evoluindo constantemente, muitas fintechs ainda pensam nos desafios de popularizar seus serviços. Diversas empresas já estão oferecendo diferentes versões de seus aplicativos para dispositivos mais simples, por exemplo, pensando não apenas na última geração de smartphones do mercado, mas também em dispositivos mais básicos.

Mais do que o acesso à tecnologia, a mudança cultural é possivelmente um dos grandes entraves para popularizar a adoção de contas digitais e outros serviços oferecidos pelas fintechs. A percepção de que guardar seu dinheiro em casa ou contar com um gerente de banco em um espaço físico com endereço fixo são opções mais confiáveis do que delegar a um aplicativo a responsabilidade de cuidar de suas finanças é uma visão muito comum na maioria dos países menos desenvolvidos.

Auxilio à população mais vulnerável

Um exemplo do que já está sendo feito hoje: a ONU utiliza a tecnologia Blockchain da fintech Ethereum para identificar refugiados por leitura biométrica e registro imutável em seu banco de dados e enviar-lhes vouchers para retirada de alimentos em acampamentos do Programa Alimentar Mundial (WFP – World Food Program). No total o WFP ajuda mais de 80 milhões de pessoas em 80 países do mundo, e a parceria com a fintech já auxilia cerca de 10 mil refugiados na Jordânia.

Na Finlândia, o cartão pré-pago Moni é destinado a refugiados. Muitas vezes, devido às condições de mudança de país, os refugiados não conseguem reunir ou mesmo carregar consigo toda a documentação necessária para os processos burocráticos de abertura de conta em bancos tradicionais. A facilidade em realizar um cadastro fornecendo apenas um número de telefone e um endereço local permite que essa parte da população tenha acesso rápido e simples ao cartão, podendo receber seus salários virtualmente e fazer algumas transações online, ou seja, tendo acesso à economia.

Crédito rápido e fácil para PMEs

Atualmente o Brasil conta com mais de 30 fintechs de empréstimo, de acordo com o levantamento Radar FintechLab deste ano. Segundo um levantamento do Sebrae e do Banco Central, a média de juros cobrada por bancos para PMEs é de 4,5% ao mês, enquanto algumas fintechs oferecem taxas entre 1,6% a 2,25% ao mês.

A velocidade dos processos também é outro diferencial para as PMEs, a liberação de crédito pode ser feita em até 30 minutos para negócios que faturam até R$ 200 mil.

Claro que existe muito a ser feito, o acesso à internet e dispositivos móveis ainda é um desafio, especialmente em regiões mais remotas e pouco desenvolvidas. Mas já podemos enxergar um futuro mais abundante e acessível graças à tecnologia.

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